Benfica: pior do que o futebol são as desculpas
“O Benfica encaixa cinco golos do Sporting depois de ter sido derrotado na Luz pela Académica e a tentação de criticar com dureza é grande.
Mas acho que o óbvio «desce» ao Benfica deve começar antes por um elogio. A equipa esteve muito bem durante 45 minutos em Alvalade. A decisão de colocar Dí Maria como avançado foi inteligente e funcionou, embora a manutenção de Cardozo no banco durante 85 minutos seja menos defensável.
Depois, e mais importante, o Benfica ajudou a fazer do «derby» de quarta-feira um jogo memorável. Como todos sabemos, os desafios assim só se conseguem com duas equipas, por isso é justo reconhecer o papel que os «encarnados» também desempenharam.
No plano apenas futebolístico, o erro maior foi ter desistido de atacar logo no início da segunda parte. Talvez nem os jogadores tenham a noção exacta, mas da bancada pareceu que lá no fundo estavam convencidos de que não se passaria nada de especialmente complicado.
Essa forma de ver a coisa poderia ter sido evitada com um pouco de atenção aos últimos minutos da primeira parte. A entrada de Izmailov e a passagem de João Moutinho para a frente da defesa alterou o Sporting para muito melhor. E isso viu-se mesmo antes do intervalo. Quer dizer, o Benfica pelos vistos não viu. Ou se viu não levou a sério.
Ao baixar a intensidade, o Benfica deixou o Sporting apertar. A equipa de Paulo Bento começou a jogar bem 25 minutos antes de chegar ao golo. Era preciso ter «avisado» com maior antecedência.
Creio que é injusto culpar Chalana pela substituição de Dí Maria por Sepsi. O argentino perde muitas vezes a bola, o romeno é mais rigoroso e aquele movimento permitia soltar Rodriguez. Fazia sentido, mas de facto quatro dos cinco golos do Sporting passaram pela direita do ataque.
Não houve propriamente erros individuais do lado do Benfica, apenas um afundar generalizado que o 3-3 de Rodriguez não atenuou. Quim tentou «queimar tempo» para quebrar a oda verde, mas o Sporting não sossegou um instante e isso foi decisivo.
Apesar de apoiados como poucas vezes em Alvalade, os jogadores do Benfica foram incapazes de se bater com o imenso coração do adversário. Nem sequer é uma crítica, apenas um facto.
Para o Benfica, pior do que perder 5-3 com o Sporting no jogo do ano e sair da Taça de Portugal é o discurso depois da eliminação. Fernando Chalana, um dos melhores jogadores da história do futebol português, tem sido incapaz de passar uma ideia. As sucessivas críticas às arbitragens são antes de mais uma falta de respeito ao seu passado genial. Quem fez tanto pelo futebol não pode reduzir-se a desculpas sem sentido.
Mais grave é um clube como o Benfica permitir que seja Fernando Chalana a voz de referência num momento assim. É preciso recordar que nos últimos três jogos os «encarnados» empataram uma vez, perderam duas, sofreram oito golos, marcaram três. A equipa saiu da Taça de Portugal e caiu dos lugares de acesso à Liga dos Campeões. Onde está o presidente do clube?
Sabemos onde estava antes das derrotas: no Bessa, a lançar a suspeição sobre o campeonato. Sem provas, sem respeito pelo futebol. À porta de um hotel de Lisboa, a desentender-se com uma equipa de reportagem da RTP. Desconhece-se onde pára por esta altura. Logo agora que as suas habituais entrevistas cómodas poderiam trazer alguma luz sobre a pergunta que os benfiquistas vão fazendo: que se passa?
Resta saber se Luís Filipe Vieira tem resposta para a pergunta. O silêncio alimenta a dúvida.
PS: O Benfica já perdeu 7-1 em Alvalade e acabou campeão. Derrotas assim acontecem no desporto e não significam o fim do mudo. Desta vez foram 5-3, só que já não restam títulos para ganhar, apenas a vão glória de tentar o mínimo, um lugar na Liga dos Campeões. Depois os jogadores irão de férias, chegará um novo treinador e os benfiquistas voltarão a acreditar numa «equipa maravilha». Sem questionar, como parece estar na sua natureza por estes dias.” (www.maisfutebol.iol.pt)

